Estou bem atrasado, mas resolvi escrever um pouco sobre o show do Radiohead. Em geral não acompanho muito a repercussão dos shows nos quais vou, mas pelo que li e ouvi até agora, não soube de ninguém que não tenha gostado. Infraestrutura à parte (local pouco acessível, alimentação, a infame hora da saída), creio que não houve por que não sair ao menos satisfeito com o festival.
Já tinha visto dois shows do Los Hermanos, e pelo que pude ver dessa vez, não houve novidades além da Cher Antoine. A ressalva que tenho em relação à eles é que ou o som geralmente não está muito bem equalizado, ou eles não tocam muito bem ao vivo. O fato é que foi um show emocionante para os fã-náticos e decente para as demais pessoas — salvo os haters, que não eram poucos.
A apresentação do Kraftwerk me impressionou bastante, já que nunca tinha dado muita bola para eles. A música funciona em perfeita harmonia com as projeções, que ilustravam as épocas de cada música. Aliás, foi nelas em que notei a força que os símbolos (“radioativo”, Trans Europe Express, Autobahn) exerciam, projetados em uma escala tão grandiosa. Na hora não pude deixar de lembrar da suástica e o nazismo, afinal esse deve ter sido o branding mais eficaz da história (piada né). De qualquer jeito, foi uma experiência incrível e fico feliz por usaram o estratagema para o bem da música.
Pontualmente (e como não seria?) às 21:30 o Radiohead entrou. Como tantos outros, eu havia esperado quase toda uma vida por aquele momento, e só acreditei que ele estava de fato a acontecer quando ouvi as primeira batidas de 15 Step. O Ed até tentou puxar as palmas, mas acho que o pessoal não conseguiu seguir o 10/8. Uma pena. [Por falar nas palmas, não tenho como não comentar da vergonha que foi ouvir algumas pessoas batendo palma no começo de Exit Music. Na hora do show, até fiquei em dúvida, mas quando vi a gravação no Multishow tive quase certeza de que o Thom atrasou o ritmo de propósito. Bom, coincidência ou não, acho que eles se tocaram] A sequência inicial de músicas foi bem empolgante, o que foi bom para pular bastante e diminuir um pouco a dor na lombar, de ter ficado tanto tempo de pé (sim, sou idoso). Arrisco a dizer que o In Rainbows é o melhor disco deles para ser tocado ao vivo. Até faz sentido porque é um álbum bem “cru”, segundo os próprios.
O resto do setlist seguiu sem surpresas em relação aos shows no México, a não ser pelo trechinho de True Love Waits que o Thom cantou na preparação de Everything In Its Right Place. Estava doido para ouvir Pyramid Song e There There, os quais foram alguns dos pontos mais altos do show. A única decepção, se posso usar essa palavra, foi deles não terem tocado How to Disappear Completely, quem sabe da próxima?
Como esperado, as músicas mais conhecidas, como Karma Police e Fake Plastic Trees, ficaram praticamente inaudíveis por conta da descortesia da platéia em ficar berrando as músicas. De qualquer jeito, eu não estava com tanta vontade de ouvir essas, mas devo confessar que achei Creep fantástica, mais pelo jogo de luzes do que pela música em si. Um ótimo, melhor do que Fantástico (pegou?), jeito de fechar uma noite de domingo.
06/04/2009 – Tags: Kraftwerk, Radiohead, resenha, show